ASSÚ - O primeiro telefone público a cartão no Brasil foi inaugurado em 1992. Até então, quem precisasse usar um orelhão tinha que aturar as velhas fichinhas telefônicas, reutilizáveis e encardidas de tanto passar de mão em mão.Aos poucos, o cartão telefônico foi se impondo e seus adeptos surgindo. Logo apareceram os colecionadores e uma nova modalidade de colecionismo: a Telecartofilia.
Foi exatamente nessa época que a senhora Maria Salete de Melo Bezerra, nascida em Ipanguaçu, mas residente em Assú, hoje com 61 anos, começou a acompanhar o neto Bruno Vinícius, um jovem colecionador de apenas 5 anos de idade.
Junto aos orelhões da antiga Telern, hoje Telemar, Bruno costumava pedir aos usuários cartões sem unidades para sua coleção.
"Sempre fui muito cuidadosa com meu neto e não o deixava sair sozinho, pois ele ainda era muito pequeno", conta dona Salete.
À época as companhias telefônicas já haviam criado as séries de cartões para colecionadores. Uma delas era a do piloto de Fórmula 1 Ayrton Sena, um ídolo de Bruno Vinícius.
Mesmo com toda dedicação de colecionador, Bruno não conseguiu todos os cartões do seu ídolo, pois algumas séries temáticas tiveram pequena tiragem, o que dificultou a vida de muitos colecionadores. "Ele ficou desgostoso e não quis mais continuar colecionando. Mas eu já havia tomado gosto pela coisa e assumi a coleção de meu neto, com todo carinho", afirma Salete.
Estratégia de abordar usuários para adquirir cartões foi herdada do neto
A estratégia utilizada por Marisa Salete para adquirir os cartões foi herdada pelo neto. Dona Salete costuma abordar usuários em orelhões públicos da cidade. Como é bastante conhecida na cidade, as pessoas não se incomodam.
Dona Salete possui hoje uma coleção invejável contendo mais de 11 mil cartões. Dentre eles, séries completas e raras.
Uma que chama bastante atenção é composta por 24 cartões, ilustrados com a saga de Lampião e o ataque do cangaceiro a Mossoró, única cidade do Nordeste onde o bando foi expulso pela própria população.
Atualmente uma insatisfação gerada entre os telecartofilistas é a escassez de cartões temáticos lançados pela Telemar, nos 16 estados em que a companhia está presente. A Telemar tem se preocupado em criar estampas de cartões com anúncios da própria empresa. Para dona Salete isso é decepcionante.
Mas, como boa telecartofilista, ela não desiste. E sugere: "Em parceria com a prefeitura, a Telemar poderia lançar uma série temática de cartões sobre a cidade do Assú".
Dona Salete acertou em cheio, pois motivos não faltam. Para lançar a série poderia ser aproveitado o tema do "São João mais antigo do mundo" que leva o nome de Assú a várias partes do mundo.
Telecartofilia é cultura! Colecione cartões telefônicos.