domingo, 1 de novembro de 2026

Como funcionava o cartão telefônico?

O cartão telefônico, muito comum no Brasil nos anos 1990 e 2000, era um cartão de plástico utilizado para fazer ligações em telefones públicos, conhecidos como orelhões. Ele substituiu gradualmente as antigas fichas telefônicas metálicas e permitia que as pessoas pagassem pelas ligações sem precisar carregar moedas.

📞 Como funcionava o cartão telefônico?

O funcionamento era relativamente simples:

  1. Você comprava o cartão: ele era vendido em bancas de jornais, lojas, lotéricas e outros estabelecimentos. Havia cartões com diferentes quantidades de créditos.
  2. Inseria o cartão no orelhão: o aparelho reconhecia o cartão e identificava os créditos disponíveis.
  3. Digitava o número desejado: você podia ligar para telefones fixos e, dependendo do serviço, para celulares.
  4. O sistema descontava os créditos: conforme a ligação avançava, o telefone consumia os créditos correspondentes ao tempo utilizado.
  5. Você retirava o cartão: quando terminava a ligação, podia guardá-lo e utilizá-lo novamente, enquanto houvesse créditos.

No Brasil, o sistema de cartões indutivos foi implantado na década de 1990. Em vez de armazenar dinheiro eletronicamente como um cartão bancário moderno, o cartão utilizado nos orelhões brasileiros tinha uma tecnologia própria para registrar o consumo.

🔬 O segredo estava dentro do cartão

O mais interessante é que o cartão telefônico brasileiro não precisava de chip nem de bateria. Ele utilizava uma tecnologia chamada indução elétrica, desenvolvida no Brasil pelo engenheiro Nelson Guilherme Bardini, com participação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telebrás (CPqD).

Veja como funcionava:

  • O cartão tinha pequenas células condutoras: cada uma correspondia a uma unidade de crédito.
  • O telefone fazia a leitura elétrica: ao inserir o cartão, o aparelho identificava as células disponíveis por meio de indução.
  • Os créditos eram consumidos fisicamente: durante a utilização, o aparelho enviava impulsos elétricos que queimavam os pequenos fusíveis correspondentes aos créditos utilizados.
  • O cartão perdia unidades de forma irreversível: depois que uma célula era queimada, ela não podia ser recuperada. Por isso, não era possível simplesmente recarregar um cartão usado. Super

Em outras palavras, o cartão funcionava como uma espécie de contador físico de créditos. O próprio cartão registrava o quanto já havia sido utilizado, sem precisar se comunicar com um banco de dados pela internet.


 

☎️ Quantas ligações dava para fazer?

Os cartões eram comercializados com diferentes quantidades de unidades, como 20, 30, 50, 75 ou 90 créditos.

No início da implantação, cada crédito permitia aproximadamente dois minutos de conversação em uma ligação local para telefone fixo. Entretanto, o tempo efetivo dependia das tarifas e do tipo de ligação.

Por exemplo, um cartão de 20 unidades poderia proporcionar aproximadamente 40 minutos de conversação local nas condições tarifárias iniciais.

🖼️ Por que tanta gente colecionava cartões telefônicos?

Os cartões traziam estampas de futebol, animais, paisagens, artistas, acontecimentos históricos, publicidade e datas comemorativas. Muitas séries eram lançadas com diferentes ilustrações, incentivando as pessoas a guardar cartões mesmo depois de utilizá-los.

Esse hobby recebeu o nome de telecartofilia. Na década de 1990 e no início dos anos 2000, colecionar cartões telefônicos tornou-se bastante popular no Brasil.

E há uma curiosidade: como os créditos eram consumidos fisicamente, um cartão usado e um cartão novo podiam ter valores diferentes para colecionadores. A raridade da estampa, a tiragem e o estado de conservação também influenciavam seu interesse colecionável. Você se lembra daqueles cartões telefônicos e chegou a colecioná-los? 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

O Fim de uma Era

Depois de décadas servindo o público brasileiro, chegou ao fim a era dos telefones públicos, conhecidos popularmente como orelhões.

Em 1971, quando chefiava o Departamento de Projetos da Companhia Telefônica Brasileira, Chu Ming Silveira assumiu o desafio de criar um protetor para telefones públicos que reunisse funcionalidade e beleza. 
 
Que caísse no gosto dos brasileiros e se integrasse perfeitamente ao mobiliário urbano. E a partir da forma do ovo, simples e acusticamente a melhor, segundo a arquiteta, foram desenvolvidos os chamados Orelhinha e Orelhão.
A inauguração para o público se deu em janeiro de 1972, quando Orelhões foram instalados no Rio de Janeiro, no dia 20, e em São Paulo, no dia 25.

Até que, em 1992, surge o cartão telefônico, criado pelo engenheiro Nelson Bardini e implementado pela Telebrás. No Grande Prêmio de Fórmula 1, no Autódromo de Interlagos, São Paulo, foi apresentado o primeiro telefone público a cartão brasileiro. 

O telefone público a cartão foi oficialmente implantado no Brasil durante a Eco 92, conferência mundial da ONU sobre meio ambiente, realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992, foram feitos para o evento os cartões da série Ecologia que se tornaram objeto de desejo dos colecionadores pela beleza e informações das peças. E, assim, surgia a telecartofilia.

Durante a década de 90, os orelhões e os cartões telefônicos popularizaram o acesso ao telefone e facilitaram a vida de milhões de brasileiros. Até o surgimento dos telefones celulares, era o meio mais utilizado para se comunicar à distância.

O ano de 2026 marca o fim de uma era no Brasil. Os orelhões, os famosos telefones públicos que chegaram a ser um símbolo nacional, começarão a ser retirados definitivamente das ruas de todo o Brasil em janeiro. 

Após o fim das concessões das operadoras, que não são mais obrigadas as mantê-los, a previsão é que a remoção dos 33 mil aparelhos restantes ocorra até 2028.

sábado, 11 de outubro de 2025

Arquivo: Pai e filho guardam coleção com 250 mil cartões telefônicos no valor de um carro em Joinville

Reportagem de Vinicius Tóffoli, em 17 de maio de 2025, no jornal NSC Total de Joiville, Santa Catarina


Aos 74 anos, aposentado quer vender a coleção e define preço


Coleção de cartões telefônicos vale R$ 15 mil, segundo o pai (Foto: Reginaldo de Castro, NSC TV Joinville)

 

São figuras da Turma da Mônica, Beto Carrero, Sítio do Picapau Amarelo, imagens de frutas, flores, animais, lugares e até escudos do JEC que compõem a coleção com mais de 250 mil cartões telefônicos do aposentado Abel Gonçalves e do filho Greg Gonçalves. A prática da telecartofilia, popular entre 1994 até 2010, sobrevive na casa da família no Bairro Saguaçu, em Joinville.


Aos 74 anos, o pai conta que começou a colecionar quando o filho precisou dos cartões para um trabalho na escola, na década de 90. Seu Abel comprou cerca de seis a sete cartões para o filho, e desde então, não parou mais.


— Lembro que era normal colecionar cartões, comecei a ter esse gosto e o pai foi participativo, começou a ajudar. Ele trazia pra mim e isso foi crescendo. Hoje é desconhecido, mas foi muito fomentado na época — disse Greg, de 40 anos, ao lembrar do começo da paixão do pai pelo hobby.



Mesmo quando o filho não conseguiu mais continuar a coleção, por questões de trabalho, o pai deu continuidade. Entre trocas com colecionadores, achados em orelhões e até parcelamento de cartões, Abel teve a ideia de colocar uma placa na frente de casa: “Cartão telefônico usado. Compro e troco”.


— Foi um sucesso. Vinha gente de Florianópolis, Jaraguá do Sul, São Paulo, todos os lugares. Chegou um cara que trouxe 100 mil cartões para vender e eu consegui negociar. Já cheguei a ter 500 mil cartões. Valeu a pena — disse Abel.

Hoje, os cartões estão guardados no armário feito sob medida para a coleção. Segundo Abel, os 250 mil cartões telefônicos estão à venda por R$ 15 mil, valor semelhante ao de carros usados.

— Eu aprendi muito nessa minha paixão pelos cartões, ensina a pessoa a viver. Pode perguntar para mim: “O senhor conhece o Japão?” Nunca fui, mas eu conheço tudo pois tenho os cartões de lá — disse o pai.


Mais do que só uma coleção, a telecartofilia praticada na casa dos joinvilenses aproximou os laços de pai e filho.


— É uma recordação que levamos para a vida toda. Sempre que olhar para os cartões telefônicos vou lembrar do meu pai. 99% foi ele quem juntou e fez acontecer — afirma o filho.

Ao todo, são 250 mil cartões telefônicos usados acondicionados em um armário feito sob medida para a coleção.


Link para a reportagem original no site do NSC Total: https://www.nsctotal.com.br/noticias/pai-e-filho-guardam-colecao-com-250-mil-cartoes-telefonicos-no-valor-de-um-carro-em-joinville

 

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