O cartão telefônico, muito comum no Brasil nos anos 1990 e 2000, era um cartão de plástico utilizado para fazer ligações em telefones públicos, conhecidos como orelhões. Ele substituiu gradualmente as antigas fichas telefônicas metálicas e permitia que as pessoas pagassem pelas ligações sem precisar carregar moedas.
📞 Como funcionava o cartão telefônico?
O funcionamento era relativamente simples:
- Você comprava o cartão: ele era vendido em bancas de jornais, lojas, lotéricas e outros estabelecimentos. Havia cartões com diferentes quantidades de créditos.
- Inseria o cartão no orelhão: o aparelho reconhecia o cartão e identificava os créditos disponíveis.
- Digitava o número desejado: você podia ligar para telefones fixos e, dependendo do serviço, para celulares.
- O sistema descontava os créditos: conforme a ligação avançava, o telefone consumia os créditos correspondentes ao tempo utilizado.
- Você retirava o cartão: quando terminava a ligação, podia guardá-lo e utilizá-lo novamente, enquanto houvesse créditos.
No Brasil, o sistema de cartões indutivos foi implantado na década de 1990. Em vez de armazenar dinheiro eletronicamente como um cartão bancário moderno, o cartão utilizado nos orelhões brasileiros tinha uma tecnologia própria para registrar o consumo.
🔬 O segredo estava dentro do cartão
O mais interessante é que o cartão telefônico brasileiro não precisava de chip nem de bateria. Ele utilizava uma tecnologia chamada indução elétrica, desenvolvida no Brasil pelo engenheiro Nelson Guilherme Bardini, com participação do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telebrás (CPqD).
Veja como funcionava:
- O cartão tinha pequenas células condutoras: cada uma correspondia a uma unidade de crédito.
- O telefone fazia a leitura elétrica: ao inserir o cartão, o aparelho identificava as células disponíveis por meio de indução.
- Os créditos eram consumidos fisicamente: durante a utilização, o aparelho enviava impulsos elétricos que queimavam os pequenos fusíveis correspondentes aos créditos utilizados.
- O cartão perdia unidades de forma irreversível: depois que uma célula era queimada, ela não podia ser recuperada. Por isso, não era possível simplesmente recarregar um cartão usado. Super
Em outras palavras, o cartão funcionava como uma espécie de contador físico de créditos. O próprio cartão registrava o quanto já havia sido utilizado, sem precisar se comunicar com um banco de dados pela internet.
☎️ Quantas ligações dava para fazer?
Os cartões eram comercializados com diferentes quantidades de unidades, como 20, 30, 50, 75 ou 90 créditos.
No início da implantação, cada crédito permitia aproximadamente dois minutos de conversação em uma ligação local para telefone fixo. Entretanto, o tempo efetivo dependia das tarifas e do tipo de ligação.
Por exemplo, um cartão de 20 unidades poderia proporcionar aproximadamente 40 minutos de conversação local nas condições tarifárias iniciais.
🖼️ Por que tanta gente colecionava cartões telefônicos?
Os cartões traziam estampas de futebol, animais, paisagens, artistas, acontecimentos históricos, publicidade e datas comemorativas. Muitas séries eram lançadas com diferentes ilustrações, incentivando as pessoas a guardar cartões mesmo depois de utilizá-los.
Esse hobby recebeu o nome de telecartofilia. Na década de 1990 e no início dos anos 2000, colecionar cartões telefônicos tornou-se bastante popular no Brasil.
E há uma curiosidade: como os créditos eram consumidos fisicamente, um cartão usado e um cartão novo podiam ter valores diferentes para colecionadores. A raridade da estampa, a tiragem e o estado de conservação também influenciavam seu interesse colecionável. Você se lembra daqueles cartões telefônicos e chegou a colecioná-los?














